Obesidade infantil
A promoção e oferta indiscriminada de
alimentos industrializados “fast food”, etc., motiva crianças de todas as
idades ao consumo dos mesmos, em prejuízo da dieta normal, com a aquiescência
dos pais que as acompanham e facilitam sua aquisição. Tais hábitos conduzem
facilmente à obesidade.
É tarefa difícil contrapor-se ao apelo
promocional bem feito dos alimentos de pronto consumo que são oferecidos de
forma abusiva. O único recurso é dialogar e analisar o valor nutricional,
versus valor econômico, versus saúde.
O excesso continuado de ingestão de
alimentos leva a distúrbios orgânicos, pois determina solicitação progressiva
de maior quantidade de alimentos que conduz à obesidade. Quanto mais tempo
durar mais difícil é de curar.
Mas afinal o que é obesidade? Obesidade é
um aumento de cerca de 20% do peso teórico. De modo prático, existem vários
tipos de obesidade:
1)
Obesidade simples essencial, ocasionada por ingestão
excessiva de alimentos;
2)
Obesidade devido a distúrbios glandulares, independente do
volume de alimentos ingeridos porque decorre da forma como os mesmo são
metabolizados;
3)
Obesidade por fatores genéticos.
Os alimentos mais indicados nos regimes para correção da obesidade em
crianças, em primeiro lugar são as hortaliças e as frutas, por serem alimentos
de baixo valor calórico. Os demais alimentos indispensáveis às crianças como
leite, ovos e carnes não devem faltar, mas convém evitar gorduras (queijos
gordos, frituras, etc.). Os alimentos ricos em carboidratos (cereais, massas,
pão, etc.) podem ser oferecidos com restrição. Os açucarados, se possível,
devem ser evitados.
A obesidade se apresenta com mais frequência a partir dos 4 ou 6 meses
até a idade pré-escolar, observando-se porém a relação entre o peso e a altura.
Outra fase vulnerável é a pré-adolescência (10 a 12 anos para as meninas e
12 a 14
anos para os meninos) idade em que é fácil controlar a obesidade. Entretanto, a
criança que chega aos 10 anos já obesa é mais difícil de tratar.
O momento em que a obesidade infantil constitui motivo de preocupação é
quando se trata de uma situação permanente que não foi compensada com o
crescimento normal.
A obesidade infantil raramente se manifesta entre as crianças de
famílias de baixo poder aquisitivo. É mais provável que os casos de obesidade
neste grupo tenham como causa distúrbios endócrinos, sendo que não se deve
confundir edema (inchação) com obesidade.
As medidas que são indicadas no tratamento da obesidade são, em primeiro
lugar a dieta adequada, por ser de valor energético inferior às necessidades do
organismo, promove a utilização das reservas calóricas; depois os exercícios
que aceleram o gasto energético; por ultimo, o acompanhamento psicológico que
integra a criança na programação estabelecida, pois sua participação é
fundamental.
A criança que tem pais obesos corre o risco de se tornar também obesa,
sendo um dos pais obeso o risco é de 40% e sendo ambos, o risco sobe para 80%.
Nestes casos é importante a conscientização dos pais para agir sobre a criança,
proporcionando-lhe desde cedo um tratamento preventivo. Ressalta-se então a
necessidade de uma correção dos hábitos alimentares da família.
Para agir com crianças obesas que se opõem à dieta é necessário induzir
a colaboração da criança para o planejamento e aceitação da dieta, recorrendo
até ao tratamento psicológico, se for o caso.
O padrão alimentar da família pode ser uma das causas da obesidade
infantil; heranças culturais de várias nacionalidades (italianos, portugueses,
árabes, etc.) através do cultivo da boa mesa, transmitem hábitos alimentares
que conduzem à obesidade. É uma das coisas a pesquisar no estudo da criança
obesa.
No início do tratamento dietético para
corrigir obesidade não há perda de peso, porque o organismo adapta seu
metabolismo a um desgaste mínimo para economizar suas reservas, procurando
inconscientemente, reduzir as atividades.
Dados retirados do livro Alimentar
a criança – o desafio do dia a dia, dos autores Alba de Andrade Falcão,
Lieselotte Hoeschl Ornellas e Maria da Luz Fernandes Perim.